Poesia

Duas almas

Alceu Wamosy #

Ó tu que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
Entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
Vives sozinha sempre, e nunca foste amada…

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
E a minha alcova tem a tepidez de um ninho,
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
Se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
Essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
Podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua…
Hás de levar contigo uma saudade minha…

# Filho de José Afonso Wamosy, de origem húngara, e de Maria de Freitas, foi poeta simbolista. Publica seu primeiro livro Flâmulas , poemas, em 1913, quando já escreve para o jornal A Cidade , fundado por seu pai em Alegrete, RS.
Adquire em 1917 o jornal O Republicano , no qual permanece até a morte. No ano de publicação do seu Coroa de Sonhos , no qual enfeixa sua única contribuição relevante à nossa literatura Duas Almas, envolve-se ardentemente na Revolução de 1913, sendo ferido a bala e vindo a falecer em um “hospital de sangue” na companhia da mãe e da esposa, com a qual esposa casa-se in extremis.
É Patrono da Cadeira N.° 40 da Academia Rio-Grandense de Letras.(Wikpedia)
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